Faz quase uma semana que o céu não abre um sorriso pra mim, o sol não quer me visitar. Já está quase chegando o horário de ir para casa, são 05:43PM e às 06:00PM eu vou para casa na companhia da minha própria sombra, que vai mudando de posição a cada vez que vou me aproximando de um novo poste. Companhia inseparável, a não ser quando eu chego próximo de casa..
Acabo de passar por um poste e ele ilumina a minha sombra, fazendo com que ela passe a frente, despercebido, eu começo a falar sozinho e vou conversando com ela, vou tagarelando sozinho até próximo de casa, até perceber que já não estou sozinho na rua e que as pessoas vão passando por mim e fazendo caras estranhas ao me ver falar, só..
Logo eu volto a realidade e tento imaginar o que se passa na cabeça de cada pessoa que passou por mim até agora. – (Que diabos esse louco está fazendo? Falando sozinho?), agora pouco passou uma senhorinha e sua expressão era de tristeza, imagino que tenha pensado – (Pobre rapaz, tão jovem e já deve estar drogado).
Agora estou na rua de casa, de cinco postes que tem nessa rua que mais parece um beco, apenas dois iluminam ainda. Por coincidência, os dois postes que ainda restam iluminados ficam nas extremidades da rua. (pequeno detalhe, eu moro bem no meio). Por sorte as luzes de casa não estão fugindo de mim.
Tento esquecer essas maluquices que atordoaram a minha cabeça durante o dia, e acho que agora posso parar de reclamar um pouco e me apresentar.
Me chamo Jackson, mas pode me chamar de Jack, é assim que todos me chamam.
Na verdade ninguém me chama assim, pois não sou de ter muitos amigos. Tenho 22 anos e moro sozinho em um lugar apertado no Brooklyn, não gosto muito de falar da minha família. Eu trabalho em uma empresa que conserta e limpa ar-condicionado de outras empresas, não conheço muito bem por lá, pois faz apenas uma semana que entrei. Também não tenho muitos amigos, ainda mais agora que me mudei para onde resido atualmente, é que sou um pouco difícil para me relacionar com as pessoas, sempre fiquei bem sozinho, mas as vezes fica um pouco deprimente passar o dia falando comigo mesmo, ouvindo sempre o que quero ouvir…
